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A Academia do Bacalhau é uma velha amizade lusófona, criada há 30 anos em Johanesburgo, com emigrantes portugueses, radicados na África do Sul, muito deles oriundos da Ilha da Madeira ou de Moçambique.
Tudo começou por um grupo de conhecidos e amigos, portugueses longe da sua terra natal, que sentiram necessidade de se juntarem à volta de uma mesa para matar saudades. Comiam bacalhau como símbolo da sua nostalgia. Mas há 30 anos, tornou-se num encontro periódico - mensal ou quinzenal - e tomou corpo rápida e firmemente, espalhando-se, no início desorganizadamente por vários cantos Sul Africanos, onde havia emigrantes portugueses. Mais tarde formou-se em associativismo.
A primeira Academia do bacalhau, surgiu na África do Sul e a primeira Academia a abrir em Portugal foi na Ilha da Madeira, existindo hoje 38 Academias do Bacalhau no Mundo, com a mesma designação, os objectivos idênticos, a base do encontro entre compadres igual, os termos operacionais gerais são parecidos, mas são totalmente independentes.
O Bacalhau tem a ver com a história de Portugal, com a sua sociologia, com emprego para muita gente. As Academias são basicamente "tertúlias de amigos que se congregam sem finalidades políticas, religiosas ou comerciais".
Cada Academia tem a sua história própria. A nossa foi criada por iniciativa do nosso compadre de Dudelange, Vitor Santos, em Maio de 2003, e conta hoje já com 50 compadres.
Por princípio nunca dão dinheiro a ninguém, mas ajudam a solidariedade organizada e arranjam facilidades, encaminhando para soluções, resolvendo indirectamente problemas individuais inconcebíveis na sociedade dos nossos dias. As receitas vêm simplesmente das quotas sempre em dia, dos seus compadres, as multas atribuídas pelo Carrasco, durante os almoços, leilões e presentes de compadres.
A informalidade é o lema comum a todas as Academias, mantendo um grande respeito uns pelos outros, perdem, ao assumir o nome de "Compadre" todos os títulos académicos, deixando portanto de serem engenheiros, doutores, presidente, ministros ou padres. Os elitismos desaparecem e a palavra chave é a amizade, solidariedade num plano informal.
A solidariedade é o outro lema comum a todas as Academias do Bacalhau que, por serem informais, agem depressa e conseguem socorrer situações inesperadas, algumas delas fora da sua área geográfica.
Uma forma de "estar" que é sobretudo uma forma de "ser". |